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A normalização como ferramenta de crescimento

A utilização das normas como processo de adoção voluntário já é bastante conhecida no exterior. No Brasil, a normalização de serviços começa a ganhar fôlego, como meio de organizar a cadeia produtiva e o próprio negócio.

Um setor que busca consolidar a profissionalização e estabelecer rumos concretos de crescimento deve valorizar a importância e a necessidade da seguinte tríade: entender as particularidades do seu negócio, conhecer sua cadeia produtiva e entender os processos que permeiam as relações entre seu negócio e a cadeia.

Ao relacionar esses três pontos – negócio, cadeia e relações –, o setor, por suas representações políticas e institucionais, conseguirá verificar sua atuação na economia e direcionar suas ações para o caminho mais acertado de avanços.

O segmento de eventos vem traçando esse caminho por meio das representações existentes, da concentração de esforços das entidades e das lideranças empresariais, na busca de bandeiras comuns, unindo forças em prol do desenvolvimento desse setor que é um dos mais dinâmicos do Brasil.

Uma importante ação começa a ser realizada no País: a construção de normas para serviços. Ao desenvolver os processos de normalização, o setor se reúne, discute seus gargalos, verifica o que pode ser sanado por meio do estabelecimento de processos e critérios e lança orientações que serão seguidas pelo mercado de forma voluntária. Comprovadamente, ao adotar uma norma como diretriz, uma empresa percebe aumento na qualidade, na produtividade e em sua capacidade de atendimento.

Além disso, a normalização torna-se um balizador do mercado, como documento orientador, por meio das normas de terminologias e conceitos, por exemplo. Numa área como a de eventos, em que os termos diferem de uma região para outra, a importância da padronização destes configura-se em segurança tanto para o prestador de serviços quanto para o cliente e o organizador do vento. Nessa atividade não há espaço para mal-entendidos.

Estabelecendo processos, as normas tornam-se instrumentos para auxiliar na redução de custos e de riscos, diminuindo, ainda, a possibilidade de erros, tornando as empresas mais competitivas e reafirmando a necessidade de programas de certificação profissional.

Ao adotar uma norma como diretriz, uma empresa percebe aumento na qualidade, na produtividade e em sua capacidade de atendimento. Além disso, a normalização torna-se um balizador do mercado.

A Abeoc Brasil percebeu a urgência da construção de normas balizadoras para o setor em geral. Nesse processo, já avançou na construção de um caderno de conceitos, com o objetivo de homogeneizar os conceitos existentes na área, realizando o primeiro passo da autonormalização, entendendo que deveria lançar orientações próprias para os seus associados.

Também desenvolve o Selo da Qualidade, estabelecendo critérios de admissibilidade e de pontuações para as empresas, a fim de que passem por auditoria, recebendo o resultado final do Comitê Nacional da Qualidade, alcançando a nota mínima estabelecida e a certificação na qualidade da gestão.

Um importante movimento vem se desenvolvendo com a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) no setor de eventos: a inicialização do comitê de normalização – um processo que começa já tendo como base o trabalho desenvolvido pela Abeoc Brasil e que vai desenvolver normas focadas no setor de eventos, buscando o seu fortalecimento, a sua melhor organização, a definição das relações de trabalho.

Por consequência, aqueles que aderirem à utilização das normas alcançarão a excelência empresarial. Esse caminho que o segmento começa a percorrer será bastante interessante também sob o ponto de vista do autoconhecimento, pois, por ser muito dinâmico, seus atores acabam por interagir com o mercado de forma intuitiva, sem a adoção clara de critérios e processos.

Durante a realização do Programa de Qualidade da Abeoc Brasil e a parceria com o Sebrae, com o apoio da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e da Federação Nacional de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares (FNHRBS), foi verificado pelas empresas participantes que, em verdade, os processos existiam em suas rotinas. Muitas vezes, não eram entendidos como tal e, assim, passavam por adaptações conforme o cliente, o evento, o funcionário responsável pelo atendimento e as mais diversas variantes.

Utilizando os critérios do Selo de Qualidade como norte e por meio das consultorias e das capacitações, as empresas desenharam seus processos, conseguiram verificar os pontos geradores de problemas, identificar os itens que Utilizando os critérios do Selo de Qualidade como norte, as empresas desenharam seus processos, conseguiram verificar os pontos geradores de problemas e alteraram suas normas internas precisavam ser modificados e alterar suas normas internas, construindo seus documentos e, ao mesmo tempo, reconhecendo seus processos de atuação no mercado e de gestão interna.

São esses os movimentos que a adoção de uma norma provoca numa empresa. Normas muito conhecidas, como as da qualidade (ISSO 9001), ilustram essas mudanças e esses movimentos internos nas organizações.

Ao se candidatar a uma certificação da qualidade, a empresa voluntariamente adotará o que está estabelecido na norma que apresenta os critérios da qualidade – realizar todo o processo de verificação interna, adequação, mudanças (quando necessário), adaptações e, por fim, a auditoria de verificação.

No desenvolvimento desses processos, é inegável o crescimento da empresa e de seus colaboradores, a partir do momento em que são chamados a entender à sua forma de operação e a instrumentalizá-la, ou seja, colocar no papel como cada atividade se desenvolve.

O setor de eventos precisa com urgência das suas normas. Mesmo que para adoção voluntária por parte das empresas, já será mais um avanço para essa grande indústria, que já representa 4,3% do PIB brasileiro, mas ainda não é tratada por suas especificidades pelos governos em suas três esferas.

O setor de eventos precisa com urgência das suas normas. Mesmo que para adoção voluntária por parte das empresas, já será mais um avanço para essa grande indústria. Se não conseguimos realizar as mudanças que precisamos nas Leis e nos regulamentos que somos obrigados a cumprir, comecemos por instrumentalizar o setor de eventos com normas que organizem o mercado, do próprio mercado para ele mesmo, mostrando capacidade de autogestão e organização, demonstrando força representativa e maturidade empresarial.

O setor de eventos no Brasil é uma grande potência econômica e precisa assumir sua importância, seu tamanho, sua atuação econômica, passando ao papel de protagonista na definição dos seus rumos e de como seguirá crescendo e se relacionando em sua própria cadeia.

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