Quinta-feira, 19 de Julho de 2018
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A vida continua

Escrevo este artigo depois de uma maratona de eventos ligados ao trade de eventos corporativos e de turismo. Os setores envolvidos, somados, são de extrema relevância para a economia do país.

O setor de eventos foi objeto de um dimensionamento recente, realizado pela ABEOC, em parceria com o Sebrae e a Foreventos (organização que reúne associações relacionadas ao setor) e chegou ao impressionante valor de R$ 209,2 bilhões movimentados ao ano (relativo a 2013), o que representa uma participação de 4,32% no PIB brasileiro. O setor de turismo corporativo também apresentou seus números relativos à movimentação em 2014. O IEVC (Indicadores Econômicos de Viagens Corporativos) 2014, feito pela ALAGEV, em parceria com o CNC e o SENAC e com o apoio da ABRACORP, abrange a movimentação financeira dos setores de transporte aéreo de passageiros, serviços de hospedagem, locação de veículos no destino da viagem, serviços de agenciamento, serviço de alimentos e bebidas prestados no destino da viagem e tecnologia. E, a exemplo do dimensionamento econômico de eventos, os números são bastante expressivos. Segundo o levantamento, a receita de viagens corporativas em 2014 atingiram o valor de R$ 40,17 bilhões, um crescimento de 9,2% sobre 2013. Perante números tão expressivos, eu, que tenho forte envolvimento com os setores envolvidos, estava bastante curioso – e, admito, apreensivo – quanto as primeiras movimentações do ano relacionadas a esses segmentos. E não foram poucas. Somente no primeiro trimestre do ano, tivemos os seguintes eventos: LACTE (Latin American Corporate Travel Experience), em janeiro; ESFE (Encontro do Setor de Feiras e Eventos), em fevereiro; COCAL (Congresso da Federação das Entidades Organizadoras de Congressos e Afins da América Latina), no início de março; Forum Panrotas, EBS (Event Business Show) e Fórum Eventos, os três no final de março. Se voltarmos um pouco no tempo, tivemos ainda o LAMEC (Latin America Meetings & Events Conference), evento anual da MPI (Meetings Professional International), em meados de dezembro do ano passado. Se avançarmos um pouco, teremos ainda o WTM (World Travel Market Latin America), neste mês de abril. Ufa! São 8 eventos, a maioria de abrangência regional LATAM, realizados num período de aproximadamente 4 meses. Todos eles tratando de eventos e turismo. E a AMPRO (Associação de Marketing Promocional) já confirmou seu 2º Congresso de Live Marketing para julho deste ano. Lá no final de 2014, quando todos já estávamos impactados pelas perspectivas pouco otimistas (para dizer o mínimo) quanto à economia do nosso país, alguns organizadores desses eventos podem ter tido a dúvida se valia a pena manter suas atividades. Eu mesmo estive envolvido, direta ou indiretamente, na decisão de alguns deles, já que sou presidente da MPI e VP da Ampro, além de participante ativo de outros dos eventos citados (organização do LAMEC, coordenação de painel no LACTE, parceria de conteúdo e coordenação de painéis no EBS e na WTM). Portanto, falo como um insider. A surpresa boa é que todos os eventos citados foram realizados com muito sucesso. Alguns deles até cresceram de tamanho na sua edição de 2015, quando comparados com anos anteriores. Se nos deixássemos levar pelo baixo astral reinante no mercado no final do ano passado e no início deste ano, tais eventos talvez sequer acontecessem. De fato, naqueles em que participei diretamente da organização, tal possibilidade foi aventada. Mas todos mantiveram suas atividades, trabalharam duro e colocaram de pé seus eventos com êxito. Abordo este fato para enfatizar algo óbvio: a vida continua! O mercado prevê queda do PIB de 1%? Pois bem, temos os outros 99% para agitar! E não é pouco. O Brasil, apesar de tudo, ainda é, e será, um mercadão a ser trabalhado. Na alegria e na tristeza, a vida continua! Empresas lançarão produtos, as lojas continuarão abertas, oferecendo seus itens aos consumidores, as pessoas viajarão, os eventos acontecerão… Enfim, apesar das manchetes catastróficas com que convivemos todos os dias, ao abrir os jornais, a roda continua girando. Certamente, os desafios serão maiores, mas serão vencidos por aqueles que se negam a entrar na onda de negativismo e estão dispostos a colocar a faca entre os dentes e lutar bravamente. Longa vida a esses que se negam a estagnar.

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