Quarta-feira, 18 de Julho de 2018
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É chegada a hora de dar um basta nesta nefasta atuação!
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A realização de uma Reunião da Frente Parlamentar Mista em Defesa do Turismo (FrenTur) e da Comissão de Turismo da Câmara Federal para discutir a Taxa de Turismo suscita questionamentos que precisam ser analisados pelo conjunto da cadeia de valor da indústria de eventos e turismo.

O release distribuído pela assessoria da FrenTur que diz, “a proposta da Confederação Brasileira de Convention & Visitors Bureaux é tornar a taxa compulsória”, pode ser a base dessa discussão.

1. Congresso de CVBx realizado em Florianópolis em sua plenária final deliberou que a CBCVB não mais representava o conjunto de conventions em atividade no país.

2. A Confederação encontra-se legalmente acéfala há vários anos, desde que o mandato de sua última diretoria venceu e não foram eleitos substitutos.

3. A Confederação é hoje “dirigida” por um “interventor” que se auto-entitula seu presidente. Mas, não tem legitimidade para falar em nome do Sistema e, possivelmente, nem da CBCVB.

4. Infelizmente, inexplicavelmente, ele conseguiu convencer lideranças da Câmara Federal a convocar uma Reunião para discutir um factoide: a criação de mais um imposto.

5. Ora, num país já sobrecarregado de impostos, num momento que a sociedade civil e empresarial luta pela eliminação de impostos, o pretenso interventor propõe a criação de mais imposto.

6. E o pior é que o imposto proposto poderá ser um tiro no pé e “acabar diminuindo a arrecadação dos conventions”, como afirmou Toni Sando de Oliveira, presidente executivo do São Paulo Convention & Visitors Bureau na reunião realizada em Brasília. “O Room Tax virando imposto, o dinheiro vai para o Tesouro Nacional, que define para onde vão os recursos e não temos garantia nenhuma que seremos a entidade legitimada a receber estes recursos”, alertou Toni.

7. Ou como disse Flávia Matos, do Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (FOHB), também presente na reunião, “todos sabemos que o destino Brasil é considerado caro e um imposto compulsório faria com que nossas tarifas ficassem ainda menos competitivas”.

8. Num momento em que a indústria deveria se mostrar unida, fortalecida, decidida a lutar por pautas transversais e que atendam ao interesse do coletivo, essa iniciativa isolada, despropositada, só poderia terminar com a conclusão exposta pelo presidente da FrenTur, deputado Herculano Passos: se “o próprio setor ainda não tem uma opinião de consenso, nós teremos que debater mais o assunto. Especialmente porque neste momento no Brasil não se tem condição nem clima para se criar qualquer tipo de novo imposto”.

Presente à Reunião em Brasília, Aristides de La Plata Cury, uma das principais lideranças do segmento de CVBx no Brasil, lamenta a atitude do “interventor”: “contraria frontalmente a natureza dos CVBx ter sido apresentada proposta de âmbito nacional e com tão profundas implicações junto aos hotéis, sem tê-la discutido previamente com suas lideranças na ABIH e no FOHB”, complementando, “contraria tudo o que penso e nos motivou a criar em 1999 a organização que representa os CVBx no Brasil, ter sito apresentada proposta sem discuti-la antes com os próprios CVBX, suas lideranças e especialistas, onde modestamente me incluo, de maneira democrática e transparente”.

Ainda me reportando ao depoimento de Aristides Cury, “o presidente da Comissão de Turismo, Alex Manente descartou definitivamente a possibilidade do Room Tax ser transformado em imposto” e “a falta de consenso entre os CVBx e a hotelaria, e sobretudo com os CVBs presentes, foi objeto de criticas tanto do presidente Manente, quanto do presidente da Frente, Herculano Passos”.

No mesmo dia em que ocorria a troca do titular do Ministério do Turismo, contra a vontade de toda indústria de eventos e turismo, esta iniciativa despropositada causou um grande estrago na imagem do setor pois, mesmo que provocada por uma “falsa liderança”, descredita o trabalho que vem sendo desenvolvido por lideranças eleitas, legitimas, representativas e preparadas.

Como bem disse o jornalista Fabio Steinberg, “no Brasil, há dois tipos de líderes. Há aqueles que crescem e aparecem por seus próprios méritos, e os que se apropriam de potenciais ansiedades coletivas para benefício pessoal”. No caso do “interventor”, complementa Steinberg, “isto é particularmente verdadeiro: oportunismos, egos inchados e falsos profetas”.

É chegada a hora de dar um basta nesta nefasta atuação!

P/S – Em breve voltaremos a falar do que está acontecendo na Confederação. Aguardem.

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