Segunda-feira, 24 de Setembro de 2018
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“Logo” pode ser tarde demais para mudar a formação em Turismo no Brasil

Pesquisadora da USP avalia o estudo divulgado pelo Royal Bank do Canadá, “Revolução das Competências”, e mostra que, no Brasil, a distância entre as formações universitárias e os requisitos do mercado de trabalho só aumenta.

Mesmo que mudanças sejam feitas já em 2019, é possível que os jovens que se formem em cursos técnicos e superiores na área de turismo não encontrem os empregos ou funções para as quais foram preparados em sala de aula. Essa é a constatação de análises realizadas pela pesquisadora Mariana Aldrigui, da USP.

Agosto é o mês em que as universidades públicas abrem as inscrições para seus processos seletivos, e um momento decisivo para jovens de todo o país para decidirem, muitas vezes sem muita informação, a carreira para a qual vão buscar vaga em universidades. O aumento de vagas em universidades públicas, distribuídas em todo o país, e também a variedade de cursos e títulos, acaba confundindo alunos e o processo de escolha é guiado por muitas variáveis que não são levadas em conta por quem administra os cursos.

A imagem do profissional, mesmo que por estereótipo, é muito forte. A percepção de remuneração também. Prestígio, status, possibilidades agregadas à profissão, idem. E na soma de todos os fatores, as carreiras ligadas ao turismo perdem pontos e vão amargando as últimas posições na preferência dos mais jovens. Muitos cursos fecharam, outros reduziram suas turmas e outros estão sobrevivendo graças à insistência da instituição a que pertencem.

A pesquisadora alerta – “as modificações que abalaram as estruturas do mercado de turismo, e que pautam as discussões atuais – economia compartilhada, desintermediação, bots e assistentes virtuais – demandam novas habilidades e competências e, por consequência, novos perfis profissionais bastante distintos e os cursos (sejam técnicos ou superiores) não oferecem conteúdo ou estímulos para tal desenvolvimento. Não é absurdo imaginar que alunos de bons colégios saiam menos capazes do que entraram na faculdade – pelo tipo de estímulo e pela forma como são condicionados a pensar e agir”.

Recentemente, o RBC (Royal Bank of Canada) divulgou relatório chamado Humans Wanted (Precisa-se de Humanos, em tradução livre), uma análise detalhada sobre a chamada Revolução das Competências, com o objetivo de orientar jovens canadenses a fazer escolhas mais sensatas em relação ao futuro, uma vez que o país oferece muitos empregos, mas as pessoas não têm as qualificações necessárias. Uma das principais constatações foi a de que os jovens chegavam muito treinados para posições que não existiam mais ou que foram substituídas por computadores, e não demonstravam competências para lidar com pessoas. Um dos destaques é a afirmação de que, considerando 24 mil competências em 300 ocupações e a possibilidade de 2,4 milhões de novos empregos, espera-se que os jovens demonstrem pensamento crítico, capacidade de ações coordenadas, percepção de aspectos sociais (e diversidade), sensibilidade para ouvir o outro e solução de problemas complexos.

O que o estudo revela e que pode ser imediatamente transferido à realidade brasileira é uma nova forma de reagrupar os perfis profissionais e as chances de o trabalho humano ser substituído por máquinas e/ou computadores:

 

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