Terça-feira, 17 de Julho de 2018
Feiras & Eventos
Mercado de Feiras foi tema de encontro entre empresas e universidades em São Paulo
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A Academia Brasileira de Eventos e Turismo reuniu, no último dia 01 de abril, em São Paulo, cerca de 60 representantes de universidades, empresas, entidades, universitários e imprensa durante a Oficina – “Universidades e Empresas conjugando e aprimorando mercados”, que aconteceu na ESPM – Escola Superior de Propaganda e Marketing. O programa contou com cinco painéis que discutiram a gestão estratégica das feiras desde a organização até a comercialização; estratégias de segmentação das feiras; ferramentas para promoção e valorização das feiras; hospitalidade; cerimonial e protocolo.

O encontro, que faz parte do novo Projeto Educacional da Academia, contou com a participação de docentes de cinco universidades – FGV, Anhembi Morumbi, ESPM, Senac e FAAP, além de debatedores que compõem a direção de empresas e entidades como APAS – Associação Paulista de Supermercados, Francal, Couromoda, ABIH – Associação Brasileira da Indústria de Hotéis e cerimonialistas.

“Esse novo projeto envolve os atores e aqueles que virão ocupar esse espaço, que são os estudantes, e precisam conhecer as oportunidades que existem nesse mercado”, afirmou o Acadêmico e presidente da UBRAFE – União Brasileira dos Promotores de Feiras, Armando Campos Mello, durante a apresentação dos dados da última pesquisa da entidade sobre o setor de feiras em São Paulo.

Na opinião de Ismael Rocha, diretor Acadêmico da ESPM, a iniciativa da Academia é histórica para contribuir com mudanças reais na indústria das Feiras e dos Eventos. “É preciso ampliar a participação dos jovens preparados para atuar nesse mercado. Com este tipo de incentivo, eles passam a olhar para esta indústria com o desejo de atuar nela”.

A mesa de abertura foi formada pelo presidente da Academia e diretor superintendente do Expo Center Norte, Sergio Pasqualin; por Armando Campos Mello, Ismael Rocha e pelo Acadêmico e ex-presidente da ABIH Nacional, Eraldo Cruz. Na sequência, o primeiro painel tratou sobre “Estratégias de Segmentação das Feiras”, com a coordenação de Silvia Valente, Coordenadora dos cursos de Turismo e Tecnólogo em Eventos da Anhembi Morumbi, e participação especial de Abdala Jamil Abdala, presidente da Francal.

“Nós formamos esse setor de feiras aprendendo conosco mesmo, não existia uma escola que nos ensinasse. Hoje vejo o início de um processo de colocar profissionais à disposição dos promotores e montadores, por isso a importância dessa iniciativa”, afirmou Abdala. Para ele, a segmentação é a profissionalização que as feiras vêm alcançando ao longo dos anos. “A primeira edição da Francal foi em Franca/SP e, no decorrer das décadas, aprendemos sobre a necessidade da profissionalização, que passa pela segmentação. Ela garante vida longa às feiras e sem ela não há negócio. É preciso reunir o expositor certo do setor e o comprador certo desse mesmo setor, para que o retorno seja significativo”.

O painel “Gestão Estratégica das Feiras – da Organização à Comercialização”, coordenado por Marisa Canton, Acadêmica da Academia Brasileira de Eventos e Turismo e professora de Gestão em Eventos e Gestão do Turismo na EAESP – FGV-SP, teve como convidado Carlos Correa, diretor superintendente da APAS – Associação Paulista de Supermercados, que comentou sobre a estrutura e a organização da feira APAS, que anualmente reúne mais de 70 mil pessoas em toda a estrutura do Expo Center Norte, em São Paulo.

Para falar sobre “Marketing – Ferramenta para Promoção e Valorização das Feiras”, a Oficina teve a participação de George Rossi, coordenador do curso de Comunicação da ESPM; e Ana Jussara Leite, da área de Projetos Especiais do Grupo Couromoda.

Para Rossi, o sucesso do marketing na promoção das feiras está diretamente relacionado à identificação das necessidades a serem atendidas por estes eventos. “O que os profissionais de feiras estão comprando? As feiras precisam garantir segurança para quem participa, agregar pessoas com interesse comum, valorizar o tempo, disponibilizar centrais de informações, gerar sentimento de pertencer àquele mercado, gerar troca de ideias, divulgar informações úteis”, afirmou. “No ponto de vista do marketing, o primeiro ponto é o boca a boca. Há ainda a oportunidade do cadastro para transmissão de informações e promoção das próximas edições e a propaganda. Manter o interessado na feira atualizado das informações durante o ano é fundamental. Se a rede cresce, a feira cresce”, complementou.

Para Ana Jussara Leite, “nas Feiras, tudo é marketing, o tempo todo”. “São necessários uma boa equipe de vendas, um bom material de comunicação, uma equipe que entenda o projeto como um todo, um bom mix de produtos e, claro, que a organização conheça as empresas que está trazendo. Serviços complementares também são importantes para o marketing da feira. A feira precisa, ainda, dar visibilidade e apresentar uma agenda positiva do setor”, pontuou. Ela enfatizou também a importância de envolver e comprometer os expositores com a divulgação.

Outros pontos citados foram a atenção a todos os detalhes, como estética, montagem adequada, ambiente agradável, alimentação, guarda volumes, sistema de transportes facilitador, segurança, que precisam ser sempre monitorados. “Ter uma equipe que resolva os problemas dos expositores e dos visitantes. E, se tudo estiver andando bem, aproveitar o momento para renovar, já começar a vender a próxima edição. Após tudo terminado, não esquecer de agradecer o expositor e o visitante, se possível com o envio de uma síntese dos resultados. E, durante o ano, buscar renovações e vivenciar o setor”, lembrou.

O painel seguinte tratou sobre “Hospitalidade, uma estratégia de diferenciação para Feiras e Exposições”, com a coordenação de Fernando Estima, Pesquisador e Professor dos cursos de Hotelaria, Tecnólogo em Eventos e Pós-Graduação em Eventos do Senac, e Bruno Omori, presidente da ABIH – Associação Brasileira da Indústria de Hotéis, de São Paulo.

“Hospitalidade é a arte de saber receber bem, de servir. O turismo está ligado diretamente à hospitalidade. Quando nós olhamos para uma feira, é necessário conhecer o cliente, saber a necessidade dele. No hotel, a primeira percepção é sempre a que fica. E nas feiras não é diferente. Numa feira comercial, estamos vendendo o sonho do expositor de vender muito, de criar relacionamentos. Aí a importância do bem receber, desde o credenciamento”, comentou Omori.

Para abordar o assunto “Cerimonial e Protocolo nas Feiras”, o painel, sob coordenação de Yara Moraes, professora de Eventos do Curso de Comunicação Social da FAAP, teve como convidados Ana Jussara Leite e o também cerimonialista Carlos Takahashi.

“O cerimonial é um instrumento poderoso de comunicação. As normas são muito antigas, dos anos 70, mas é nossa legislação, então a pessoa que trabalha no cerimonial precisa ter o bom senso de adequá-las às necessidades atuais. Se não souber o protocolo brasileiro, você vira refém”, comentou Takahashi, que ilustrou a explicação com casos reais de falhas em cerimoniais de eventos que contaram com presença de autoridades, como Governador e Presidente da República, com consequências negativas na imprensa. “Precisamos nos esforçar para preparar melhor os profissionais de eventos, para que não sejamos reféns do cerimonial público. O que nos falta hoje é isso. Produtor de evento não é cerimonialista, mas podemos formá-lo para isso”, concluiu.

Todos os participantes da Oficina tiveram a oportunidade de interagir ao vivo com os debatedores por meio do APP SLI.DO, com o envio de perguntas que subiam ao telão e eram respondidas ao final de cada painel.

A 2ª Oficina da Academia Brasileira de Eventos e Turismo foi encerrada ainda com uma palestra do diretor geral da MICE Knowledge, o inglês Rob Davidson, especialista mundial no mercado M.I.C.E. – Meetings, Incentives, Congresses and Exhibitions e professor visitante em seis universidades europeias.

As Oficinas promovidas pela Academia fazem parte das estratégias de um pioneiro Projeto Educacional criado pela entidade, já em andamento, que visa a realização de estágios monitorados nacionais e internacionais a jovens estudantes. “Esta é a segunda Oficina e já estamos criando laços mais estreitos entre mercado e universidades. Toda iniciativa tem um começo e a ideia é de abrangência, outros estados já estão pedindo que levemos a oficina como modelo, para que possa expandir com outras escolas. Temos ainda muito que empreender nesse Projeto, que já começou de forma sólida, séria e ética”, comentou Marisa Canton.

A 2ª Oficina “A  Universidades e Empresas conjugando e aprimorando mercados” teve o apoio da Ubrafe e da ESPM – Escola Superior de Propaganda e Marketing.

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