Sábado, 17 de Fevereiro de 2018
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Nem tudo está perdido
Imagem do Artigo: Nem tudo está perdido

Por Guillermo Ricci, Diretor de área Mice de Viajes Continental L’alianxa Travel Network, especialmente de Montevideo, Uruguai

 

Já há muitos anos que alguns gurus do marketing se empenham em anunciar o fim das agências de viagens tradicionais.

Não há dúvidas de que a introdução das novas tecnologias vem obrigando as agências a se readaptarem a um novo modelo de negócios e muitas acabaram ficaram pelo caminho ao longo deste processo.

Não obstante, tal vaticínio não se  cumpriu totalmente e vejo vários exemplos que me levam a crer que nem tudo está perdido.

Ninguém em pleno juízo pode desconhecer o avanço que tem ganhado as agências online como Destinia, Trivago, Booking, EDreamns, Bookaris, entre outras. As agências tradicionais off-line correm atrás e se vêm obrigadas a realizar fortes investimentos em infraestrutura para manterem-se flutuando neste oceano de possibilidades e onde o consumidor final está a apenas um clique de gerenciar suas viagens.

A apenas um clique também está de encontrar uma infinidade de opiniões sobre o que lhes deveriam dizer as agências tradicionais para sobreviver a esta nova era onde tudo se compra de maneira virtual.

Atender os nichos cada vez mais específicos com produtos altamente personalizados que sejam ao menos difíceis de encontrar pelo sr. Internet é uma das “estratégias” que mais venho lendo ultimamente.

Me assusta a desvalorização que todas estas mudanças geram na relações pessoais. Os vínculos pessoais e as relações face a face se estão extinguindo na medida em que irrompe, cada dia com mais força, a tecnologia e faz com que cada um de nós acredite que é um agente de viagens.

Me assusta pensar também em uma sociedade que se relacione mais com uma máquina do que com uma pessoa e isso vai além de somente o caso das agências de viagens.

Há dez anos trabalho em uma agência de viagens tradicional, off-line e familiar, uma agência que está no mercado uruguaio ininterruptamente desde 1957, que não desapareceu nem com o advento das novas tecnologias senão que se apoiou nelas para seguir adiante.

Na verdade, tivemos que nos reacomodar no modelo de negócios, atacar diferentes nichos como por exemplo o segmento Mice, as saídas temáticas para grupos etc. Porém, a sobrevivência nestes 60 anos se construiu com estratégias de mercado, publicidade e no modelo de negócios. O êxito desta empresa, apesar de sua capacidade de adaptação às mudanças, se traduz na fidelidade de sua carteira de clientes. Fidelidade que construímos  junto a eles sobre pilares básicos mas pilares que não têm prazo de validade e nem é baseado no que pensa o sr. Internet e as novas tecnologias.

A confiança e a honestidade são valores infinitos que estão a frente de qualquer automatismo tecnológico. Se a estes valores somamos o profissionalismo e a expertise de cada uma das pessoas que integram a empresa, creio que vamos ter uma agência tradicional por muitos anos mais.

E isto é simplesmente um exemplo que se aplica ao Uruguay, ao Brasil, ao Vietnam e em qualquer país do mundo. Benvinda a tecnologia que nos aproxima a todas as pessoas neste maravilhoso mundo das viagens, benvindas as mudanças que fazem com que viajar hoje não seja um luxo para poucos, senão que seja uma possibilidade para muitos!

Porque nem tudo está perdido, as pessoas, todavia, ainda desfrutam de ver as fotografias impressas, de ler livros em papel e de sentar-se em frente a um agente de viagens e escutar tudo que ele tem para dizer sobre seu próximo destino.

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