Sexta-feira, 19 de Outubro de 2018
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O Segredo
Imagem do Artigo: O Segredo

 

Voltei há uma semana de Lucerna, na Suíça, onde fui a única brasileira entre pouco mais de 600 participantes do Fórum Mundial de Turismo de Lucerna – WTFL2017. Em sua quinta edição, o Fórum conseguiu superar as demais edições em qualidade. Foi, definitivamente, o melhor evento que participei nos últimos cinco anos.

No momento em que percebi o meu nível de satisfação, no segundo de cinco dias, acionei um radar interno para verificar o que é que estava me deixando tão impressionada. Fiz diversas anotações, fotos, caminhei um pouco tentando observar os bastidores, e cheguei a uma conclusão que não deveria ser surpresa para ninguém. Entretanto, se começo a comparar com os diferentes eventos que participo no Brasil, especialmente os maiores (acima de 300 pessoas), vejo que ainda vai faltar muito para chegarmos ao nível de excelência do WTFL2017.

E qual o segredo dos organizadores? Em uma palavra: respeito.

Sim, respeito. Diferentes aplicações do conceito.

O primeiro e mais importante foi deixar claro que todos os participantes, convidados ou pagantes, eram iguais e estavam ali para compartilhar experiências. Isso significa total ausência de pulseirinha ou área vip ou babação de ovo desnecessária em um evento em que o menos importante provavelmente era um embaixador ou um patrocinador do evento.

Na sequência, um cuidado absolutamente cirúrgico na estruturação do horário das palestras, mesas redondas e atividades. Os convidados sabiam quanto tempo tinham, os mediadores idem, tempo para perguntas entre os participantes, tempo para reflexões. E cinco minutos para alteração de tema. E curiosamente, quando a palestra acabava e o palestrante descia do palco, NINGUÉM ia correndo atrás dele e não se formavam grupos barulhentos no meio do evento. Para isso, havia os intervalos.

E nos intervalos, havia um excelente serviço de A&B. Sem dúvida não saiu barato. Mas soubemos que os ingredientes eram locais, e tudo o que foi servido tinha relação com os patrocinadores. (Tudo bem, não é difícil fazer sucesso sendo o país do queijo e do chocolate…) A questão é – com 600 pessoas, não vi ninguém em filas. Sempre em serviço buffet, com mesas altas para comer em pé e facilitar o networking, o respeito se notava na quantidade de estações, na agilidade da reposição, e na rapidez dos garçons de bebida. Obviamente, os pratos atendiam aos mais diversos grupos – e eram passíveis de se comer sem o uso da faca. E nada de “finger food”.

Informações sobre o evento, os eventos paralelos, workshops, visitas guiadas e atividades complementares disponíveis em todos os ambientes, o tempo todo. Nenhum dos componentes da equipe, super enxuta (contei no máximo 18 pessoas) me respondeu “não sei” às perguntas que fiz. Sempre sabiam, e sempre complementavam a resposta com alguma sugestão útil.

A escolha dos locais do evento, que foram vários, também demonstrou extremo respeito para com todos. Para quem tinha pouco tempo entre chegar e sair, quem não queria usar táxis, quem resolveu ir de bicicleta… e quando houve um deslocamento do grupo todo para um jantar, todos – TODOS MESMO – foram em ônibus circulares, muitos em pé, rindo e se divertindo. Sem batedores, sem carros específicos, todos juntos.

A lista de itens é muito maior, porém já ficou claro que o que os organizadores fizeram foi, certamente, pensar tudo com antecedência e exercitar mentalmente o que poderia dar errado, aprendendo com outras experiências e recuperando as próprias insatisfações em outros eventos. Em nenhum momento parecia que o convidado estava fazendo um favor de estar lá batendo palma para merchandising. Tenho certeza que muitos, como eu, se deixaram inspirar pela grandeza dos pequenos gestos de respeito. E estaremos lá novamente, em 2019.

 

 

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