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Porque o conceito “eu consigo fazer tudo” não leva as mulheres a lugar nenhum.

Quero falar sobre o espírito do “eu dou conta sozinha” que muitas mulheres possuem. Acredito que o processo de gerenciamento de eventos oferece o microcosmo perfeito para se analisar essa ilusão.

Como filosofia de vida, a crença de que “fazer tudo sozinha” é possível coloca as mulheres em um estado mental de desilusão que nos mantem distante do objetivo de atingir nosso potencial máximo.

Porque me dirijo especialmente às mulheres? Porque os homens parecem não ter essa filosofia. Na verdade eles organizam suas vidas em torno da idéia de “não fazer tudo sozinhos”. Eles abraçam o conceito de delegar. Eles parecem enxergar o poder como um simples cenário no qual quanto mais pessoas você comandar, mais poder você tem.

Essa ideologia ajudou os homens a serem bem sucedidos e também criou a estrutura organizacional que administrou nosso mundo por milhares de anos. Monarcas, primeiros ministros e presidentes sempre governaram delegando a ministros e departamentos. Generais sempre tiveram oficiais, sargentos e soldados para gerenciar suas tropas. E as corporações também operam através de uma hierarquia. Dêm uma olhada na maioria dos homens (infelizmente) que dirigem empresas com vastos recursos humanos à sua disposição. Um CEO tem varias reuniões para ter uma visão ampla da situação, dá o comando aos seus chefes de departamentos e não se aborrece com pequenas coisas do dia a dia. Um dirigente de empresa que se envolve em minucias é visto como fraco.

Mas algumas mulheres por diversas razões parecem enxergar o ato de delegar e terceirar como um sinal de “não estar sendo capaz de fazer tudo sozinha”. Como se delegar fosse um aspecto negativo inerente à habilidade: isso sim uma fraqueza. Essa propensão parece ser especialmente verdadeira quando falamos de eventos.

Se eu ganhasse 10 centavos cada vez que ouvisse uma potencial cliente do sexo feminino dizer: “Sim, estamos procurando terceirar a organização de nossos eventos, mas eu poderia organizá-lo se tivesse tempo – Eu estaria rica de verdade. O que se destaca para mim é que eu nunca, jamais ouvi um homem dizer a mesma coisa. Nenhum homem jamais tentou me provar que a única razão de ele estar entrevistando empresas de gerenciamento de eventos é porque não tem tempo mas, antes que eu me esqueça, ele tem habilidade!

É minha teoria de que a razão pela qual os homens não dizem isso é porque eles não vêem como perda de poder o ato de delegar ou terceirizar. De fato eu aposto que se perguntássemos eles diriam que se não tivessem a quem delegar ou terceirizar, isso sim significaria que eles têm menos poder e autoridade.

A razão pela qual isso me ocorreu recentemente é que em toda reunião de planejamento que tenho com clientes, TODAS as participantes são mulheres. As vezes em que um homem está envolvido é quando necessitamos de orientação sobre a estratégia. Mas os itens sobre logística estão sendo executados por mulheres. Embora os clientes achem isso estranhamente interessante, eu vejo simplesmente como usual.

Os homens são “pessoas de idéias” enquanto mulheres executam. Mas não seria hora de questionarmos este modelo? Não seria hora de nós mulheres começarmos a nos questionar de onde veio nossa filosofia de poder?
Para mim, a filosofia de que as mulheres só adquirem poder e respeito a partir do conceito de “eu dou conta de tudo” é falsa. Isso significa que trabalharemos o máximo e tentaremos cumprir coisas além de nossas competências, ao mesmo tempo tentando provar (sem sucessso) que somos extremamente adeptas a tudo o que tentarmos fazer. Para que? Há algum premio ao final disto?

Por isso ao observar os homens chego à conclusão de que eles descobriram como chegar lá. O poder verdadeiro vem da liderança de recursos humanos e saber delegar aos melhores deles. Sabemos que pessoas (homens e mulheres) usam o poder indevidamente o tempo todo, mas vamos admitir que os que chegam ao poder sabem como manejá-lo.

Liderança é a habilidade para encontrar e inspirar aqueles que são os melhores no que fazem. Isso permite a você ter pessoas mobilizadas em trabalhar mais do que você jamais poderia imaginar fazer sozinha.

Esse princípio se aplica não apenas ao nosso trabalho mas à nossa vida familiar também. Uma vez que mudarmos nossa filosofia de poder para a que abraça a terceirização e o delegar, realmente nos tornaremos mais (e não menos), seguras em nossos cargos. Não há necessidade de provar nossa habilidade, porque deveríamos assumir que isso já foi feito.O verdadeiro julgamento de nossas habilidades está em como executamos o projeto eficientemente e não se o fazemos sozinhas.

Uma coisa que digo a todas as mulheres que trabalham para mim (e são somente mulheres) é que pior coisa que podem dizer é “Eu dou conta sozinha.” Eu quero que elas vejam isso como uma afirmativa triste e desiludida, dita apenas por aquelas que procuram algo que nunca encontrarão. Elas deveriam ao invés disso focar em descobrir suas forças e determinar suas fraquezas de modo a saber a quem contratar em um projeto e de que tipo de pessoas se cercar.

Não era para darmos conta de tudo! Quem nos disse que deveríamos? Era apenas para darmos o melhor de nós – e então delegar, terceirizar àqueles que são excelentes naquilo que fazem. Esse é o verdadeiro poder e com ele podemos criar qualquer coisa – eventos, conferências ou mesmo mudança social.

Um evento requer inúmeros players, diferentes habilidades, e especialização, por isso delegar é o nosso verdadeiro ativo. Deveríamos enxergar assim. Possamos nós nunca mais dizer de novo:” Eu dou conta sozinha” e sorrir, pois essa é uma frase desnecessária de um passado de infrutíferas lutas.

*Artigo publicado originalmente no site Successfull Meeting. Tradução livre de Elisabete Sorrentino

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