Terça-feira, 16 de Outubro de 2018
Feiras & Eventos
São Paulo é escolhida como palco para assuntos urgentes no Brasil e no mundo: contaminação, poluentes persistentes e reuso de água
Imagem do Artigo: São Paulo é escolhida como palco para assuntos urgentes no Brasil e no mundo: contaminação, poluentes persistentes e reuso de água

A escassez de água é um problema que afeta a humanidade há décadas e, nos últimos anos, tem se agravado ainda mais, com as anomalias climáticas, aquecimento global, secas recordes e reservatórios em níveis alarmantes. É previsto que até 2025 a demanda por água doce exceda em 50%, deixando um terço da população mundial sem acesso rápido à água potável, e que, até 2050, a população mundial tenha crescido em 2 bilhões de pessoas, enquanto a quantidade de água disponível se manterá a mesma, de acordo com o Instituto de Tecnologia de Massachussets (MIT).

 

O momento é de busca por alternativas práticas para obtenção de água potável e da utilização mais inteligente do recurso em processos industriais e do dia a dia. Para discutir esses e outros temas urgentes, a cidade de São Paulo foi a escolhida para receber em 2017 o Congresso Mundial de Dessalinização e Reuso da Água, evento internacional bienal que acontecerá pela primeira vez na América Latina. O processo de candidatura de escolha do destino acontece desde 2010, e a cidade foi escolhida graças a esforços e trabalho contínuo do São Paulo Convention & Visitors Bureau (SPCVB), entidade sem fins lucrativos, mantida pela iniciativa privada, que tem como objetivo captar eventos nacionais e internacionais para São Paulo.

 

Para Emilio Gabbrielli, Vice-Presidente da IDA,  International Desalination Association and Water Reuse, e Diretor de Desenvolvimento de Negócios da Toray, empresa japonesa que produz membranas utilizadas na dessalinização e reuso, o desenvolvimento de processos de dessalinização e de reuso do recurso vai além do momento de crise hídrica. “A seca do momento que cidades e estados do Brasil estão passando aumenta a importância do Congresso, mas, independente da crise, a demanda de água, no geral, é tão alta que todas as possíveis fontes do recurso devem ser consideradas, incluindo a dessalinização e o reuso.  O assunto é de extrema  urgência, pois a quantidade de água disponível e a forma como ela é utilizada hoje afeta diretamente a sociedade e a economia de um país”, comenta Gabbrielli.

 

Em processos industriais de empresas como a Petrobras, por exemplo, a dessalinização e reuso da água já são praticadas e são essenciais para sustentabilidade do negócio, uma vez que grande quantidade de água é exigida em seus procedimentos. “O reuso da água está presente em diversos momentos do dia a dia das pessoas e passa despercebido, como plantas em shopping que são regadas com água oriunda de sobras da pia”, detalha o Vice-Presidente.

 

Hoje, no Brasil, a dessalinização para produção de água potável já é utilizada em regiões carentes do recurso, como o sertão do Ceará, ou até mesmo Fernando de Noronha, que é cercado por água marinha. O custo de manutenção de equipamentos de dessalinização é visto como um dos grandes desafios para tornar a prática possível. Para Gabbrielli, isso não passa de um mito.

 

“O importante é ter alternativas e analisar qual é a mais viável para cada caso. Hoje, o custo do transporte da água do litoral para outras cidades é maior do que o processo de dessalinização. Para cidades litorâneas e regiões que sofrem da seca, o custo de dessalinização pode ser igual ou mais barato do que no tratamento de água poluída, de manancial ou de outras bacias”, detalha Gabbrielli, que completa: “Dessalinização e reuso são tão custosos quanto outros tratamentos, por isso, o Congresso tem como objetivo trazer essa discussão e conscientização desses processos como alternativas viáveis, apresentar novas tecnologias, pesquisas e estudos da área, além de ser uma oportunidade das próprias empresas brasileiras mostrarem o que já fazem”.

 

São Paulo concorreu com outras duas cidades para sediar o congresso: Cidade de Kuwait, nos Emirados Árabes; e Busan, na Coreia do Sul. O World Congress on Desalination and Water Reuse acontecerá no segundo semestre de 2017.

 

Poluentes da Convenção de Estocolmo serão debatidos

 

Em 2001, o Brasil, ao lado de outras 120 nações, assinou o Tratado de Estocolmo, que aborda a emissão e tratamento de Poluentes Orgânicos Persistentes (POPs), substâncias químicas de alta persistência que permanecem no meio ambiente e podem afetar os seres vivos. E em 2015, também com esforços do SPCVB em conjunto com a Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP/USP) desde 2010, São Paulo foi escolhida como destino para realizar o Simpósio Internacional DIOXIN 2015 (35th International Symposium On Halogenated Persistent Organic Pollutants), de 23 a 28 de agosto próximo, no Hotel Maksoud Plaza. A organização logística do evento é da empresa Acqua Consultoria.

 

O DIOXIN é um encontro anual internacional realizado desde 1980 e que, este ano, acontece pela primeira vez na América Latina, com apoio do Departamento de Saúde Ambiental da FSP/USP. “Os POPs, que podem ser oriundos de agrotóxicos, queima de combustíveis, incineração de lixo, produtos para controle de insetos e indústria química no geral, são nocivos à saúde dos seres vivos e se movem pelo ambiente, afetando não somente seu local de origem mas também em regiões remotas, e perdurando por muito tempo”, detalha o Professor Doutor João Vicente de Assunção, chefe do Departamento à época da aprovação do evento e ex-Presidente da Comissão de Pesquisa – FSP/USP, que afirma que o Brasil ainda é carente na medição dos níveis de emissão e contaminação por POPs.

 

“Diversos processos, como incineração, uso de agrotóxicos e pesticidas, acabam levando substâncias tóxicas à população, que não está consciente disso. O Simpósio será importante, pois São Paulo ainda é incipiente na área, há pequenos grupos pesquisando e é urgente que haja desenvolvimento nesse setor”, detalha o Professor Doutor.

 

Entre 1975 e 1993, Paulínia sofreu um dos mais famosos casos de contaminação do lençol freático do rio Atibaia, originada de agrotóxicos estocados. “Pesticidas clorados já foram banidos da agricultura e agora estão estocados, o que também pode acarretar na contaminação do solo e da população”, comenta o Professor João Vicente.

 

O Simpósio trará doze temas básicos sobre POPs, além de marcar o fim elaboração do Plano Nacional de Implementação da Convenção de Estocolmo, conforme compromisso assumido pelo Brasil em 2004. “É preciso reunir a comunidade científica, entender como os poluentes se comportam no ambiente, qual o destino que eles tomam as concentrações no ambiente, efeitos para saúde, situações com animais marinhos, Ártico e Antártico. O encontro será essencial para apresentação de equipamentos de medição, detecção e pesquisas, além de ser uma oportunidade única para a América Latina, professores, pesquisadores, agências ambientais e profissionais da indústria, conhecerem o que está sendo produzido na área”, conclui o Professor Assunção.

 

São Paulo, número um no Brasil

 

Em 2016, São Paulo também realizará o Simpósio Internacional de Controle de Contaminação, de 17 a 23 de setembro, no Centro de Convenções Rebouças, evento apoiado pelo SPCVB que trará novidades e pesquisas no segmento de controle de contaminação em ambientes fechados. Os três eventos citados para os próximos três anos possuem o perfil ICCA (International Congress and Convention Association). Ou seja, são associativos, internacionais, com periodicidade definida, rotativos e com participação mínima de 50 pessoas. Anualmente, a ICCA, entidade internacional responsável pela administração do maior banco de dados de eventos ao redor do mundo, divulga seu ranking com as cidades que mais receberam eventos.

 

Em 2014, São Paulo se destacou como a número um do Brasil, terceira das Américas e 34ª do mundo, com 66 eventos cadastrados, além de contribuir com mais de 22% dos eventos de perfil ICCA nacionais, para colocar o Brasil na 10ª colocação mundial. “A posição do Brasil, assim como das demais cidades brasileiras e latino-americanas no ranking, mostra como as cidades estão se desenvolvendo: tanto na estrutura para realizar eventos internacionais, quanto na organização de informações por parte dos Convention & Visitors Bureaux e órgãos públicos de turismo. E mostra como São Paulo tem vocação para realizar eventos internacionais associativos, de extrema importância no mundo técnico-científico e responsáveis por trazer novidades, estudos e pesquisas nas diversas áreas do conhecimento, nestes casos, sobre o meio ambiente, em um momento crítico para diversos locais no Brasil e no mundo”, comenta Toni Sando, Presidente Executivo do SPCVB.

Compartilhe:

Apoiadores
©2018 Rent My Brain
Desenvolvido por SIXSIDED